quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Venezuela comemora 24 anos da rebelião liderada por Hugo Chávez

Lucía Berbeo
Fonte: Adital

Há 24 anos, ocorria na Venezuela uma rebelião cívico-militar que estimulou um avanço popular, que, com indignação, sofria com os embates da crise do sistema político capitalista e que, seis anos mais tarde, em 1998, resultaria na vitória eleitoral do comandante Hugo Chávez pelo povo, abrindo espaço para a Revolução Bolivariana.

Durante um evento, Chávez classificou essa ação como "a unidade cívico-militar que foi forjada na luta revolucionária, desde 04 de fevereiro, garantimos a continuidade da revolução socialista na Venezuela, que, definitivamente, não tem volta. Longo foi o caminho que nos levou àquela madrugada, quando um grupo formado por corajosos – fuzis na mão – militares decidiram deixar tudo e irem ao resgate do povo venezuelano”.

A insurreição foi formada por mais de 2 mil homens, e foi o resultado dos movimentos populares, acompanhados por militares, que reclamavam um novo caminho para dignificar o poder popular.

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De acordo com alguns analistas internacionais, essa data não pode ser analisada de maneira isolada na história, pois o 4F tem suas raízes nas gestões excludentes de governos anteriores e cujo ponto mais alto se centrou no segundo período do governo do extinto Carlos Andrés Pérez.

Para a analista política Judith López Guevara, esse 04 de fevereiro de 1992 foi uma insurgência protagonizada pelos chamados COMACATES – comandantes, capitães e tenentes –, oficiais de média graduação, que foi hegemonizada por um projeto nacionalista e revolucionário.

Além disso, conseguiu romper com o Pacto do Ponto Fixo, relembra Judith, que, em 31 de outubro de 1958, firmou-se na Quinta "Ponto Fixo”, propriedade de Rafael Caldera, o acordo entre os partidos políticos Ação Democrática, COPEI e União Republicana Democrática, sendo excluído o Partido Comunista Venezuelano. Os signatários se comprometiam a atuarem, conjunta e solidariamente, em torno de três aspectos.

"Defesa da constitucionalidade e do direito a governar, conforme o resultado eleitoral: se explica ali que, qualquer que fosse o partido que ganhasse as eleições, os outros dois se oporiam ao uso da força para mudarem o resultado; os três partidos se comprometiam a apresentarem ante o eleitorado um programa mínimo comum”, detalha a especialista.

A também defensora dos direitos humanos afirma que, ao romper-se com o "pontofixismo” começou a ser construída uma nova história, partindo do resgate da dignidade de um povo, baseada nos princípios ideológicos da árvore das três raízes: Simón Bolívar, Ezequiel Zamora e Simón Rodríguez.

"Como militante da esquerda revolucionária posso dizer que, em 04 de fevereiro, viveu-se uma esperança, que havia sido perdida porque vínhamos da queda do Muro de Berlim, no ano de 1990, da acolhida da pacificação por parte dos partidos de esquerda venezuelana, a Liga Socialista (LS) e do Partido Revolucionário da Venezuela (PRV), no fim dos anos 1970, quando essa política de pacificação, implementada pelo ex-presidente Rafael Caldera e, posteriormente, continuou com a repressão no governo de Luis Herrera Campins, deixando debilitado o movimento revolucionário”, conta Judith.

Ela destaca que fevereiro é rebelde, mês marcado por lutas pela liberdade dos povos, e "deve ser assumido como o começo do processo, que nos permitiu viver em uma nação com um governo com um alto conteúdo social, humano e que, apesar das vicissitudes, tem neutralizado os embates do setor capitalista, que quer, a todo custo, sufocar os êxitos e a participação protagonista do poder popular”, conclui a analista.

*A autora é jornalista da Venezuela, analista política e colaboradora para este meio de informação.
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