sábado, 20 de junho de 2015

Unilab - Grevistas se manifestam em solenidade de posse e reitor afirma que não haverá perseguições

Durante a solenidade de posse de novos servidores da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), nesta quinta-feira (18), os técnico-administrativos em educação (TAEs), em greve desde o dia 1º de junho, distribuíram carta aberta aos recém-chegados, leram o documento no púlpito, exibiram cartazes e reforçaram ao reitor, Tomaz Mota Santos, que aguardam o diálogo com a gestão.

Antes da solenidade, o reitor conversou informalmente com os servidores e disse que não havia recebido o documento com as pautas da categoria, protocolado no último dia 12. Em seguida, afirmou que chegou a receber o documento, porém, não encaminhou resposta, porque “não havia indicação de contatos”, ao que os grevistas replicaram que constava, sim, o e-mail do Comando Local de Greve (CLG) e que os TAEs, como toda categoria, têm um sindicato para mediar o diálogo com a gestão, o Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais no Estado do Ceará (Sintufce). O CLG aproveitou a ocasião para entregar a Tomaz Mota Santos o mesmo documento que já havia sido protocolado. Em breve o Sintufce entrará em contato com a gestão da Unilab para marcar a reunião sinalizada pelo reitor.

Após a leitura da carta aberta aos novos servidores (leia abaixo), Tomaz Mota Santos afirmou que não haverá perseguições aos grevistas. Sobre as reivindicações, disse que há muitas de âmbito nacional, que poderia apresentar à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), e que as pautas locais serão debatidas após “análise”. “Vou analisar, dizer o que posso fazer, o que não posso e o que será estudado”, declarou.

Confira a carta aberta aos novos servidores e entenda os motivos da greve na Unilab:
80% das 63 universidades federais estão em greve. Chega de perdas salariais!
Caros e caras novos servidores da Unilab,
É com muita alegria que queremos dar-lhes as boas-vindas à nossa universidade e, ao mesmo tempo, convidá-los a conhecer e participar do nosso movimento grevista, que teve início no dia 1º de junho. A Unilab tem campi no Ceará e na Bahia, totalizando mais de 250 servidores. Dentre os servidores do Ceará, 60% estão em greve. Já na Bahia, o percentual atinge um empolgante 100%. 80% das 63 universidades federais estão em greve.
Por que fazer greve?
Se nada for feito por nós, trabalhadores, passaremos três anos sem reajuste. O último que tivemos, em 2012, foi fruto de uma greve, apenas 15%, parcelado em três anos, sequer acompanhou o ritmo acelerado da inflação. Isso implica numa precarização salarial monumental. Nossa luta é, portanto, para tentar não perder mais do que já perdemos em termos salariais. E a nossa arma mais potente para virar o jogo é justamente o nosso trabalho, fazer com que a gestão sinta a falta dele e se disponha a negociar, fato que ainda não ocorreu.

Essa greve precisa ser incisiva e curta, pois perde força após agosto! Isso porque até 31 de agosto o governo votará o Plano Plurianual (PPA), que começa a valer em 2016 e vai até 2019. É urgente garantirmos, pelo menos, a reposição das perdas salariais. Se perdermos o “timing” esperando pelo governo, já nos mandaram o recado: sentar com servidores para negociar salário? Só em 2017, para reajustar os ganhos apenas em 2018.

É necessário que a greve seja o mais coletiva possível! O pleito de reposição salarial só será alcançado se houver uma adesão massiva, nacional, que junte técnico-administrativos em educação (TAEs), os professores e alunos. Em um cenário ainda melhor, seria uma grande greve do funcionalismo público, abrangendo diversos setores, além da educação.

Sabemos que o papel da Unilab, uma universidade cravada no interior cearense, não é de protagonista, mas que pode, sim, dar sua contribuição para a luta nacional. Para isso é preciso coesão, compreensão coletiva. Você, hoje, está feliz por mais uma conquista suada e merecida, mas saiba que, além de seu esforço individual, ela só foi possível graças aos servidores da Unilab, que fizeram uma forte greve em 2012 e exigiram concurso público.

Hoje todos te parabenizam: sua família, amigos e companheiro/a estão radiantes e não é para menos. Mas é preciso dizer que os servidores federais vivem uma constante tentativa de precarização por parte do governo. Ninguém imagina, por exemplo, que o auxílio-creche de um servidor da Unilab é de vergonhosos 75 reais, que ainda sofrem desconto. Ninguém acredita que nem todo mundo recebe auxílio-transporte, que não temos um ônibus institucional para fazer o traslado dos servidores e que gastamos uma quantia considerável todo mês para garantir nossa presença na universidade. Quem diria também que o nosso Restaurante Universitário não atende a contento? Entre outras inúmeras questões que precarizam nossas condições de trabalho.

Companheiros e companheiras, há muito por que lutar! Deixamos mais uma vez os nossos parabéns e reforçamos calorosamente o convite: venha para a luta conosco e vamos fazer da Unilab uma universidade que realmente receba os servidores de braços abertos, com democracia, com eleições paritárias, jornada reduzida para 30 horas e condições decentes de trabalho.

Questões jurídicas

Estamos combinando com o Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais no Estado do Ceará (Sintufce) uma reunião de esclarecimento aos novos servidores sobre questões importantes, como estágio probatório, serviços essenciais e inadiáveis, assédio moral das chefias contra os grevistas e outros temas de interesse da categoria. Breve divulgaremos o evento. Dúvidas urgentes podem ser mandadas ao advogado pelo e-mail clovisrenatoj@yahoo.com.br.

Confira a pauta da greve

Nacional
● 27,3% de reajuste no piso da tabela.
● Aprimoramento da Carreira com correção das distorções, levando em consideração a racionalização dos cargos, piso de três salários mínimos e step de 5%; reposicionamento dos aposentados e pensionistas, e concurso público via RJU para todos os níveis de classificação.
● Turnos contínuos com redução da jornada de trabalho para 30 horas, sem ponto eletrônico e sem redução de salário.
● Paridade nos processos eleitorais paritário para a escolha de gestores no âmbito das universidades públicas, de forma autônoma, com lista uninominal.
● Exigir o fim dos cortes na educação (mais de 9 bilhões).
● 10% do PIB para a educação já.
● Democratização das Instituições.
● Fim da terceirização.
Veja mais no site da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra): www.fasubra.org.br.

Específica da Unilab
● Turnos ininterruptos (30h) como benefício para a comunidade universitária.
● Paridade nas eleições e órgãos colegiados.
● Efetivação da política de capacitação e qualificação dos servidores.
● Transporte: auxílio transporte para todos, sem burocracia, equiparado com as despesas efetivas dos servidores ou ônibus da universidade com duas rotas saindo de Fortaleza. 
● Condições adequadas para o efetivo deslocamento inter-campi.
● Restaurante Universitário (RU) de qualidade e que respeite a diversidade cultural.
● Melhoria da infraestrutura e ergonomia para as atividades laborais.


“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem” 
Bertolt Brecht (Da violência)

Agora é greve!
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