segunda-feira, 4 de maio de 2015

1º de Maio - Dia do Trabalhador - O Maciço que queremos a participação que precisamos

Integrante do MAB grita palavras de ordem: "Mulheres, água e energia não são mercadoria!"
Com o anfiteatro do Campus da Liberdade lotado, a Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira), através da Intesol (Incubadora Tecnológica de Economia Solidária), realizou no dia 30 de abril, um evento em alusão ao Dia do Trabalho, com o tema “O Maciço que queremos a participação que precisamos”.
Grupo Samba de Rosas abrilhantando o evento
Estudantes, lideranças sindicais, professoras e professores, representações de Ong’s, artesãs, agricultoras e agricultores receberam as boas vindas da profª Clébia Freitas, coordenadora do Intesol, e em seguida puderam prestigiar o grupo Samba de Rosas, que trouxe música de qualidade, percorrendo repertórios de Clementina de Jesus, Adoniram Barbosa entre outras.
Trabalhadoras homenageadas
“Pra mudar a sociedade do jeito que a gente quer
Participando sem medo de ser mulher”

Mulheres trabalhadoras da instituição foram homenageadas, e em seguida dona Terezinha Ricardo, que faz parte do Colegiado Territorial do Maciço de Baturité, recebeu uma cesta com produtos da economia solidária dos grupos acompanhados pela Intesol. 

Dona Terezinha (Colegiado Territorial do Maciço) foi homenageada
Dona Terezinha fundou o Comitê Territorial de Mulheres do Maciço de Baturité, que conta com 23 mulheres, sendo o único no Estado do Ceará. “A Unilab é muito importante para a educação e para o Maciço. A gente consegue dialogar melhor com outras instituições quando a gente tem o apoio das universidades”, comentou dona Terezinha.

Reitor Tomaz Mota dá as boas vindas
A mesa para o debate foi composta pelo Magnífico Reitor da Unilab, Tomaz Mota, Teresinha Ricardo da Silva (Colegiado Territorial do Maciço de Baturité); profª Rafaela Pessoa (Pró-reitora Arte e Cultura - Unilab); Antonio Ricardo (CUT); prof. George Paulino (UFC), e a profª Clébia Freitas (Intesol).

A pró-reitora Rafaela Pessoa lembrou a luta histórica das mulheres, que hoje possibilita que outras mulheres possam ingressar na universidade e desenvolver diversas atividades antes tidas como exclusivamente masculinas. Além disso, a professora citou a importância do debate que a Unilab traz, promovendo a participação da academia e da comunidade.
Trabalho, extensão rural, mulheres e africanidades foram alguns temas citados pelo reitor Tomaz Mota, fazendo referência ao trabalho agrícola como invenção feminina, perpassando pela herança africana na fé (citando o Candomblé como exemplo em que as entidades em sua maioria são femininas) denotando o cuidado com a natureza e com as pessoas. “É preciso ter o compromisso de superar esse legado tão ruim de hierarquias raciais”, disse o reitor, lembrando que isso impede que a humanidade avance por caminhos que levam a igualdade e justiça social.

Antonio Ricardo (CUT), profª Clébia Freitas (Intesol) e prof. George Paulino (UFC) 
"Venturas e desventuras de uma conjuntura atual”. Com essa frase provocativa, o sociólogo e professor da UFC, George Paulino, fez uma reflexão do que ocorre hoje em nosso país a partir de aspectos trazidos pela grande mídia, cuja análise deveria ser, segundo o professor, mais “psicanalítica do que política”, com polêmicas geradas por pedidos pela volta da ditadura militar, avanço da ultra direita, transferência da responsabilidade das questões ambientais para a população, dentre outros. Pontos positivos também foram citados pelo professor, como a redução da pobreza no país segundo o PNUD. Mesmo com a limitação de tempo, o professor George conseguiu elencar dados sobre educação, homologação das terras indígenas, avanço do agronegócio, utilização de agrotóxicos, negligência com os biomas caatinga e cerrado... Certamente elementos para tornar o debate rico não faltaram.
Pontuar dados do maciço e qualificá-los entre as ações realizadas pela Intesol foi tarefa da profª Clébia Freitas, que lembrou a fragilidade das organizações da sociedade civil na região, mas que o empenho e os caminhos têm sido percorridos com o apoio de várias instituições. A professora lembrou que “é preciso desenvolver consciência política para se situar no maciço em que estamos como forma de garantir a
participação da população nas tomadas de decisões”.
Entrevendo o aspecto histórico do Brasil e suas leis, Antonio Ricardo (secretário de Combate ao Racismo da CUT), lembrou os 72 anos da consolidação das leis do trabalho, do período de Getúlio Vargas e as mudanças de até então. Ele fez um breve resgate histórico desde o período de colonização do Brasil, a exploração de mulheres e homens negros pela escravidão, etc.
Fortalecer o diálogo e unir o conhecimento científico ao saber popular: estratégia que permite avançarmos por dias melhores.

Parabéns às pessoas trabalhadoras!

Saiba +


- O Maciço de Baturité é composto por 13 municípios e hoje tem aproximadamente 264 mil habitantes;
- A Unilab chegou em Redenção em 2010 e conta com mais de 800 alunos;
- São doze instituições da sociedade civil atuando no Maciço;
- O evento teve o apoio da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e Proex (Pró-Reitoria de Extensão Arte e Cultura);
- Estiveram presentes: CUT, MAB. MST, Via Campesina, Obas, Cetra, representantes de STTR’s do Maciço de Baturité.


 Texto e fotos: Ricardo Wagner – Comunicador popular pela Obas/ASA
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