sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Mudanças climáticas podem levar mais de 100 milhões de pessoas à pobreza, aponta Banco Mundial

Nordeste do Brasil é citado como área em risco em novo relatório. Períodos prolongados de seca extrema podem provocar impactos devastadores na produção agrícola na região.
Nordeste do Brasil deve enfrentar períodos prolongados de extremas de seca e expansão das zonas áridas devido ao recrudescimento das mudanças climáticas. Foto: WikiCommons / Flickr / Maria Hsu
Nordeste do Brasil deve enfrentar períodos prolongados de extremas de seca e expansão das zonas áridas devido ao recrudescimento das mudanças climáticas. Foto: WikiCommons / Flickr / Maria Hsu
As mudanças climáticas e seus desdobramentos, como os desastres naturais, as perdas de safras e a propagação de doenças, podem deixar mais de 100 milhões de pessoas na pobreza até 2030, destacou o Banco Mundial neste domingo (8). Em novo relatório, a organização avaliou as relações entre a miséria e as transformações do clima. Situações e iniciativas brasileiras foram mencionadas na pesquisa.
De acordo com a agência, até 2030, as mudanças climáticas podem provocar perdas de até 5% na produção da agricultura. Esse valor pode chegar a 30%, até 2080. Os preços dos alimentos também serão afetados. Na África, por exemplo, poderá ser registrado um aumento de até 12%, até 2030, e 70%, até 2080. Também é esperada uma maior incidência de doenças como malária, diarreia e nanismo.
De acordo com o levantamento, os mais pobres são os mais suscetíveis e enfrentam um alto risco quanto aos choques associados ao clima, como a queda no volume de chuvas, ondas de calor e enchentes. “A mudança climática atinge os mais pobres da forma mais dura e nosso desafio agora é proteger dezenas de milhões de pessoas de caírem na extrema pobreza”, afirmou o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim.
Para o dirigente, a erradicação da pobreza, que é o eixo da nova agenda global adotada pelos Estados-membros em setembro, só será possível se medidas inteligentes forem tomadas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. A publicação do relatório antecede o encontro das Conferências das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que acontece ao final de novembro, em Paris.
O relatório aponta que o nordeste do Brasil é uma das regiões da América Latina em risco de enfrentar períodos extremos de seca, além de uma expansão das zonas áridas, o que pode provocar escassez de água e afetar a produção de pequenos agricultores.
No entanto, instrumentos eficazes ajudam a reverter esse quadro negativo. É o caso do Cadastro Único, sistema de registro para a transferência de benefícios como o Bolsa Família, elogiado pelo relatório por possibilitar um rastreamento eficaz das populações que precisam de assistência e são vulneráveis a choques econômicos e desastres, como enchentes. Outros programas, como o Bolsa Floresta e o Terra Legal, também foram destaque por associarem distribuição de benefícios (em dinheiro ou em outras formas) a exigências que reduzem o desmatamento.
 Fonte: ONUBR
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