domingo, 22 de novembro de 2015

Estudante supera pobreza no Ceará e ganha reconhecimento nos EUA; ouça entrevista

Marcela Alves e o cientista Stephen Wolfram. Foto: Reprodução
Marcela Alves e o cientista Stephen Wolfram. Foto: Reprodução
O jornalista Evandro Nogueira recebeu neste sábado (14), no programa Sábado Show, a jovem cientista Marcela Alves. Formada em Ciências da Computação pela Faculdade Farias Brito, em Fortaleza, Marcela superou desafios desde pequena na cidade de Aratuba, no interior do Ceará. Sozinha, aprendeu a falar inglês e conseguiu chegar aos Estados Unidos com reconhecimento.
Desde criança, Marcela estudava muito, apesar das limitações no início. “Quando eu nasci, minha família morava num sítio. [Quando cresci], ainda não tinha escola lá. O pessoal se organizava e a gente ia ter aula numa capelinha. A gente ia de bicicleta ou de jumento para a aula. Foi lá onde tudo começou. E eu relembrei disso quando eu estava nos Estados Unidos. E só passava esse filme pela minha cabeça: ‘como eu saí daquela escola pequena e consegui chegar na Escola de Verão em Massachusetts?'”, relembra a estudante, emocionada.
Na adolescência, Marcela passou a estudar inglês por conta própria. “Como eu gostei muito de estudar, eu decidi estudar inglês em casa, sozinha, sem ninguém para treinar comigo. Eu tinha noção das regras de inglês, mas eu não sabia a pronúncia das palavras direito porque eu não tinha ninguém para conversar comigo”, explica.
Ouça entrevista na íntegra:


E isso foi decisivo quando marcela viajou para os Estados Unidos, por meio do programa Ciências Sem Fronteiras. “Durante a faculdade, aconteceu de eu viajar para os Estados Unidos. Não sabia nem o que era check-in e check-out e eu tive que fazer uma conexão no México durante a viagem. Quando eu cheguei lá, perdi meu passaporte e a minha passagem de avião”, conta Marcela, que demorou mais de um dia para chegar em seu destino.
Lá, a estudante começou a participar de um grupo de estudos em Cosmologia e Astrofísica e estudou processamento de imagens. Ao apresentar um projeto ao Wolfram Science, os pesquisadores se surpreenderam com o resultado e ela foi selecionada para a Escola de Verão da Universidade de Bentley, em Massachusetts, que seleciona somente 50 nomes em todo mundo. “Na computação, existe uma parte que se chama processamento de imagens, como os do Instagram. Aqueles filtros são todos deprocessamento de imagens. Só que os cientistas da computação faz um processamento para pegar outras informações. Eu peguei a teoria dos autômatos dos celulares e tentei reproduzir esses filtros para ver se eles são mais eficientes. Eu consegui reproduzir esses filtros de uma maneira muito mais eficiente e com uma porcentagem de semelhança muito grande. E quando eu mostrei para o cientista Stephen Wolfram, ele ficou muito encantado”, sintetiza.
Marcela se tornou, assim, a primeira mulher brasileira na história aceita para o curso de verão do instituto de ciência em 2014. Atualmente, Marcela trabalha desenvolvendo um aplicativo móvel de educação à distância para pessoas com necessidades especiais num projeto financiado pela empresa Dell.
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