segunda-feira, 18 de maio de 2015

Brincadeira de Polícia em Redenção desperta a atenção

A iniciativa dos meninos de Redenção, no Maciço de Baturité, levou a PM a convidá-los a conhecer seu trabalho de perto




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Um grupo de cinco crianças formou sua própria composição policial naquela cidade
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Identificados por capitão Ferreira, sargento Erismundo, cabo Maxisteyner, soldados Freitas e Pereira, eles brincam com armas feitas de madeira
Redenção. Das brincadeiras de infância dos cearenses, como brincar de "travinha", jogar bila (bola de gude), soltar raia (pipa) e jogar pião, uma que não pode faltar é a brincadeira de "polícia e ladrão". Dois grupos se dividem entre os personagens e, de pés descalços, correm pelas ruas os bairro.
No município de Redenção, a 66 quilômetros de Fortaleza, um grupo de cinco crianças formou sua própria composição policial. Identificados por capitão Ferreira, sargento Erismundo, cabo Maxisteyner, soldados Freitas e Pereira, eles brincam percorrendo as ruas da cidade, com armas feitas de madeira e uma unidade móvel montada com uma sucata de geladeira, sob duas rodas de bicicleta.
O grupo aborda quem passa por eles, na tentativa, segundo o comandante mirim Ferreira, de colocar ordem e lei na cidade. As imagens dos meninos ganharam as redes sociais e os grupos de WhatsApp. Trajando uniformes de papelão com identificação da Força Tática de Apoio (FTA), um grupamento da Polícia Militar, os garotos brincam pelas ruas abordando moradores em sua viatura.
Policiais militares do 3º Pelotão da 2ª Companhia do 4º Batalhão de Polícia Militar também receberam as fotos e resolveram convidar as crianças para conhecer o funcionamento da unidade da Polícia. Vestindo uniformes customizados, adesivados com o escudo do FTA, os jovens conheceram o trabalho realizado pelos os PMs. Na entrada da companhia os cinco garotos, em uma saudação, bateram continência aos militares que estavam em serviço. Dentro das instalações o capitão mostrou como eles agem em operações e os equipamentos de comunicação utilizados nas viaturas do município.
Responsável pelo patrulhamento da região, o capitão Ferreira da vida real, relata que se sentiu honrado e feliz em servir de exemplo para eles. "O fato de os meninos se identificarem com a profissão é a avaliação positiva do bom atendimento prestado à comunidade. Estamos diariamente nas ruas conversando com a população, ouvindo e atendendo as suas demandas", exaltou o PM.
Durante todo o tempo dentro da unidade, os meninos eram taxativos em dizer que queriam seguir carreira na Polícia. "A PM também tem esse trabalho de conscientização a adolescentes e crianças. Sempre com o cunho social, no intuito de pontuar que o mundo do crime e das drogas não leva a nada", comentou.
Brincadeira séria
Renata Kelly da Silva, 33, mãe de um dos jovens, destaca que prefere que o filho esteja brincando de Polícia do que ver o filho envolvido com grupos errados. Segundo a mãe, as drogas estão presentes nos bairros de Redenção. "Eu não sei quando ele começou a brincar disso, só soube quando cheguei em casa e minha irmã me contou que ele estava na rua todo vestido de colete", riu a mãe. Ela ainda conta que ficou feliz pelos PMs terem convidados seu filho e os amigos para conhecer a unidade policial, destacando ser um incentivo, tanto para eles, quanto para as outras crianças.
A professora Bernadete de Souza Porto, coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Aprendizagem, Escola e Infância da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), doutora e mestre em Educação, salienta que a brincadeira e o "faz de conta" é saudável, mas que não haveria a necessidade da construção de armas de brinquedo.
"A construção do revólver ou pistola é prejudicial. Isso é algo que simboliza, de certa forma, a prática da violência, o que pode extrapolar o limite da brincadeira", ressaltou a profissional.
A doutora orienta que esse é um bom momento para transformar essa situação em um canal de diálogo entre a comunidade, os jovens, pais e professores. "Infelizmente lidamos com violência todos os dias, seja presencialmente ou pela TV. Esse é o momento ideal para se discutir essas vivências", afirma.
Segundo a professora, a prática dos PMs em levar os meninos à unidade da Polícia é aceitável, a partir do momento em que esses profissionais tenham sido capacitados para realizar esse tipo de orientação aos jovens. "Os policiais vivem uma cultura diferente no dia a dia do seu trabalho, diferente das crianças. A capacitação dos policias facilita a troca de informações entre eles", reforça.
Ações educativas
A Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE), por meio do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), do Batalhão de Policiamento Comunitário (BPCom) e do Comando de Policiamento Comunitário (CPCom), forma jovens conscientes sobre o que são as drogas e seus efeitos, com ações educativas realizadas nas escolas.
Outro projeto criado para atender o público infantil é o Turminha do Ronda. Por meio de teatro de fantoches, os PMs utilizam o lúdico para entreter e conscientizar crianças sobre temas relacionados à segurança pública. A Polícia Civil também desenvolve trabalho na área educacional, com a Divisão de Proteção ao Estudante (Dipre), que capacita professores e alunos sobre à prevenção a violência e ao uso de drogas.
Segundo o tenente-coronel Fernando Albano, a iniciativa leva informações aos jovens sobre as diversas problemáticas das drogas. "Os policiais que atuam nesses projetos são treinados pedagogicamente para levar informação na linguagem de crianças e adolescente", relatou o comandante do CPCom.
(Colaborou João Lima Neto)
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