quarta-feira, 8 de abril de 2015

Papa lamenta o “silêncio cúmplice” ante a matança de cristãos no Quênia


O calvário de Cristo em Jerusalém e a matança de seus fiéis no Quênia, dois mil anos depois. O paralelismo centrou as orações e os atos da papa Francisco na terceira Semana Santa desde que o jesuíta se instalou no trono de Pedro. Principalmente a Sexta-feira Santa, o dia no qual a Igreja de Roma recorda a morte de seu fundador, esteve este ano profundamente marcada pelomassacre de 148 pessoas, na grande maioria universitários cristãos, nas mãos de terroristas islâmicos.


“Ainda hoje vemos nossos irmãos perseguidos, decapitados e crucificados por sua fé”, disse na sexta-feira o pontífice ao presidir a tradicional Via Crucis no Coliseu, diante de milhares de fiéis e centenas de velas, em uma noite romana insolitamente fria nesta época do ano. Mas, indo além da solidariedade humana e da proximidade na oração, Jorge MarioBergoglio criticou a comunidade internacional, lamentando que tudo isso ocorre “sob nossos olhos ou, com frequência, com nosso silêncio cúmplice”.

À tarde, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, enviou um telegrama ao presidente da Conferência Episcopal do Quênia, cardeal John Njue, arcebispo de Nairóbi: “Profundamente triste pela imensa e trágica perda de vidas humanas causada pelo recente ataque à Universidade de Garissa, o Santo Padre condena esse ato de insensata brutalidade e reza pela conversão dos corações daqueles que o perpetraram”. Condenação e oração se juntaram outra vez a um apelo oficial do Vaticano às autoridades quenianas para que “redobrem os esforços a fim de trabalhar com todos os homens e mulheres do Quênia para pôr fim a essa violência e saudar a luz de uma nova era de fraternidade, justiça e paz”, nas palavras do telegrama.

condenação às perseguições jihadistas contra os cristãos, “mártires” contemporâneos, como definiu o Papa, dominou também a preparação da Via Crucis. Antes de ir ao Coliseu, Francisco participou, na Basílica de São Pedro, da celebração da Paixão de Cristo e escutou concentrado as palavras do padre Raniero Cantalamessa: “Quantos Ecce homo no mundo”, exclamou o pregador da Casa Pontifícia. “Meu Deus, quantos! Quantos presos se encontram nas mesmas condições do Jesus frente a Pilatos: sozinhos, algemados, torturados, nas mãos de militares brutos e cheios de ódio, que cometem todo tipo de crueldade física e psicológica, desfrutando de seu sofrimento. Não podemos dormir”, concluiu o franciscano Cantalamessa com voz emocionada. “Não podemos deixá-los sozinhos!”
O Papa escutou cabisbaixo.
FONTE: EL PAÍS 
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