quinta-feira, 19 de março de 2015

Petistas apresentam provas à PGR para investigar Aécio Neves por esquema em Furnas


espalheaverdade33
Parlamentares petistas de Minas Gerais protocolaram na Procuradoria Geral da República (PGR), nesta quinta-feira (19), um pedido para investigação do envolvimento de Aécio Neves no esquema de Furnas. O pedido foi apresentado pelos deputados federais Padre João e Adelmo Leão, juntamente com o deputado estadual Rogério Correia.
O presidente do PSDB e senador eleito por Minas Gerais foi excluído da lista de investigados na Operação Lava-Jato, embora o pivô do esquema, o doleiro Alberto Yousseff, tenha afirmado em delação premiada que o tucano teria envolvimento.
A petição solicita também o desarquivamento do processo que a bancada mineira impetrou em fevereiro de 2014 sobre desvios de recursos das estatais Furnas e Cemig ocorridos entre 1994 e 2002.
Na ausência do procurador-geral, Rodrigo Janot, os parlamentares do PT foram recebidos pelo secretário de Relações Institucionais, Peterson de Paula Pereira.
As revelações do doleiro Alberto Youssef acerca da participação de Aécio Neves no esquema reabriram o debate sobre a “Lista de Furnas” elaborada pelo lobista Nilton Monteiro. Além da petição, os parlamentares apresentaram documentos que comprovam e corroboram com o depoimento do doleiro-delator à Justiça Federal.
Os deputados entendem que as descobertas da Operação Lava Jato indicam a necessidade da PGR “valorar esses novos achados probatórios e aprofundar as investigações acerca das irregularidades noticiadas na Representação aviada em fevereiro de 2014”.
Entre os documentos protocolados estão a própria “Lista de Furnas”, cuja veracidade foi reconhecida pela Polícia Federal; a denúncia sobre o esquema formulada pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro e cópia da delação de Alberto Youssef na qual cita Aécio Neves e outros políticos.
Na petição, os petistas solicitam que a PGR leve em consideração o trabalho realizado pela procuradora Andrea Bayão, que investigou o caso e, além do desvio de recurso, identificou a ocorrência de “caixa dois” com verbas da estatal. À época, a procuradora obteve a confissão de Roberto Jefferson, ex-presidente nacional do PTB e ex-deputado federal, afirmando que recebera R$ 75 mil das próprias mãos do então presidente de Furnas, Dimas Toledo, no escritório da estatal no Rio de Janeiro. Esse valor é o mesmo que consta na lista completa, que traz a assinatura de Toledo e foi considerada autêntica por laudo da Polícia Federal.
Questionada sobre o que há de novo em todo esse processo, o deputado Padre João disse que “se antes tinha a Lista de Furnas e, de certa forma, havia sido desconsiderada, com a fala do Alberto Youssef estamos aqui apresentando os documentos que comprovam o esquema”. De acordo com o petista o único citado pelo doleiro que tem documentos que comprovam o favorecimento é o senador Aécio Neves.
Já o deputado Adelmo Leão espera que, de porte de toda a documentação, a PGR atue com isenção. “Saio com esperança renovada de que a procuradoria investigue todas as denuncias. A minha expectativa é que todas as denúncias sejam tratadas de maneira isonômica, com profundidade, e que não se faça julgamento prévio”, frisou Adelmo Leão.
O deputado estadual Rogério Correia disse que este é um momento de o Brasil “passar a limpo uma parte de sua história”. Ele questionou o fato de o procurador Janot ter arquivado a denúncia contra Aécio Neves por falta de provas. “Nós trouxemos muitas provas e, agora, isso pode ser feito com tranquilidade. Temos uma lista de furnas original autenticada pela Policia Federal que comprova que Aécio Neves recebeu R$ 5,5 milhões segundo a lista. Temos vários deputados federais e senadores, então podemos passar o Brasil”.
CPI – Correia defendeu a criação de uma CPI para apurar as denúncias contidas na Lista de Furnas. Segundo ele, há documentos e não há como abrir um inquérito como o da Operação Lava-Jato para investigar o senador Aécio Neves. “Eu diria até que deveria ser feito pelo Senado uma CPI para investigar Furnas. Seria fundamental. Nós veríamos, estarrecidos, o que foi esse período em Minas Gerais”, avaliou.

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