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segunda-feira, 28 de março de 2016

Juventude rural demanda políticas especializadas de Ater para reduzir êxodo

Nesta segunda-feira (28/03), começou a Conferência Nacional Temática de Assistência Técnica e Extensão Rural para Juventude, que acontece até amanhã, em Brasília. O evento reúne 150 jovens de todo o Brasil com o objetivo de propor políticas de Ater específicas ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
A etapa temática faz parte da mobilização para a 2ª Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (2ª Cnater), um evento do MDA organizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf). 30 propostas construídas coletivamente pelos jovens serão encaminhadas à etapa nacional. Por fim, um documento deve nortear as políticas do MDA pelos próximos anos.
Por conta da falta de oportunidade no meio rural, muitas vezes os jovens migram para os grandes centros urbanos em busca de estudo e trabalho. Luiza Dulci, assessora de juventude do MDA, acredita que a “Ater é também um mercado de trabalho possível para jovens que estão se formando nas escolas agrícolas pelo Brasil”, por isso é necessário cada vez mais investimento na área.
Diante das demandas discutidas, destacaram-se também a necessidade de uma formação continuada para técnicos de Ater, com metodologias que dialoguem com os jovens. “A Ater é central para emancipação e autonomia da juventude rural na inclusão produtiva. Já houve um conjunto de avanços, mas ainda há muitos desafios”, afirmou Germano Barros, membro da organização Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta).
De acordo com Carla Ferreira, do Instituto de Colonização de Reforma Agrária (Incra), 2 milhões de jovens estão envolvidos no processo de reforma agrária para as 368.341 famílias assentadas. Uma tentativa de gerar oportunidade aos jovens são as chamadas públicas de Ater. “Nossos critérios de seleção exigem que os técnicos de Ater venham do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), fazendo com que mais jovens participem”, disse.
Desafios
A jovem Valéria Porto, 28, pertence ao quilombo Pau D’arco e Parateca, no Território Velho Chico (BA). Ela afirma que o êxodo rural de jovens é uma questão preocupante para os povos do Campo, Águas e Florestas. “O jovem precisa ficar no rural para desenvolvê-lo. Pra isso a gente também precisa de chamadas públicas menos burocráticas, de acesso mais simples às políticas”, frisou.
Perspectivas
Apesar do contexto político delicado e dos cortes orçamentários, há um grande esforço do movimento rural de juventude e do MDA para que as demandas sejam atendidas. Em 2012 e 2015, o MDA lançou chamadas públicas de Ater para a Juventude. Outro avanço é que pela primeira vez a juventude rural teve visibilidade nas metas do Plano Plurianual (PPA 2016-2019), com meta de 80 mil jovens atendidos em políticas de Ater, sendo, portanto, uma ação estratégica do MDA nos próximos 4 anos.
Texto: Condraf.
Foto: Rony Sousa/AscomMDA
Fonte: CNATER

terça-feira, 8 de março de 2016

Jogo 'No Man´s Sky' leva 4 bilhões de anos para ser explorado

O game no Brasil será lançado no dia 24 de julho. O jogo é um dos mais aguardados da indústria do videogame nas últimas décadas


Cada jogador inicia a viagem em um planeta desconhecido
Desenvolvido e lançado pelo estúdio independente Hello Games, o jogo “No Man´s Sky” (Céu de ninguém) é um game que levaria 4 bilhões de anos para ser completamente explorado.
O jogo é um dos mais aguardados da indústria do videogame nas últimas décadas e custa R$ 130 para Windows e Playstation 4. “No Man´s Sky” trabalha com um universo aberto. Os jogadores podem fazer seus próprios caminhos no mapa, sem seguir um roteiro estabelecido e com mais de 18 quintilhões de planetas.
O personagem do jogo é um astronauta a bordo de uma espaçonave que percorre cenários futuristas com a sua própria fauna, flora e especificidades geológicas.
Como funciona
Cada jogador inicia a viagem em um planeta desconhecido e é a primeira pessoa a caminhar sobre a superfície daquele planeta. É possível explorar o planeta ou seguir para o próximo. Os jogadores têm a possibilidade de jogar online e offline. No modo online, o universo é partilhado, podendo trocar coordenadas de planetas e compartilhar informações sobre quais possuem vida ou quais são perigosos.
A ideia do jogo é chegar ao centro da galáxia, o que leva 40 horas sem fazer nenhuma atividade extra no caminho, segundo o programador Sean Murray, criador de “No Man´s Sky”. O jogo chega ao Brasil no dia 24 de julho.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

o plano Nacional de Juventude e meio ambiente vai ampliar a pasticipação dos jovens na festão dos recursos hídricos

💦 
A ‪#‎ÁGUA‬, recurso natural precioso e limitado, é um bem de domínio público e direito de todos. Um dos objetivos do Plano Nacional de Juventude e Meio Ambiente é ampliar ainda mais a participação dos jovens na gestão desse bem.
💧 Muitas ações estão sendo planejadas para os jovens: cursos, formação de multiplicadores, materiais educativos, articulação com secretarias de Meio Ambiente. Participação no Fórum Mundial da Água de 2018 e também nos encontros Bianuais de Educação Ambiental em Gestão de Recursos Hídricos e no Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas.
💧 Game ensina, de forma divertida, como fazer a gestão da águawww.aguaemjogo.com.br
💧 Confira no canal da Agência Nacional de Águas - ANA vários vídeos sobre recursos hídricos: www.youtube.com/anagovbr
📝 O plano foi elaborado com a ajuda de jovens de todo o país que, agora, têm uma política pública específica para o meio ambiente. O objetivo é que essas políticas tornem efetivos os direitos da juventude à sustentabilidade e ao meio ambiente.
Acesse o plano ➡ http://goo.gl/M1mwDQ

domingo, 22 de novembro de 2015

A cientista Marcela Alves deverá ter placas fixadas em sua homenagem nas escolas de Aratuba

A Câmara Municipal de Aratuba, Maciço de Baturité, no Ceará, aprovou por unanimidade um requerimento de autoria da vereadora Aila Santana (PR), que indica ao prefeito da cidade a fixação de placas nas Escolas da Rede Municipal homenageando a aratubense MARCELA ALVES, a primeira mulher brasileira na história aceita para o curso de verão do instituto de ciência em da Universidade de Bentley, em Massachusetts no ano de 2014.  

A jovem cientista Marcela Alves, até o segundo grau estudou em escola pública na cidade de Aratuba, em seguida se formou em Ciências da Computação pela Faculdade Farias Brito, em Fortaleza, Marcela desde de pequena superou os desafios da pobreza na cidade de Aratuba, no interior do Ceará. Sozinha, aprendeu a falar inglês e conseguiu chegar aos Estados Unidos com reconhecimento.

Desde criança, Marcela estudava muito, apesar das limitações no início. “Quando ela nasceu, sua família morava num sítio. [Quando ela cresceu], ainda não tinha escola lá. Foi com a centenária Albertina Farias que a ilustre Marcela Alves aprendeu as primeiras letras, ele ia para a capela aonde Dona Albertina reunia as crianças carentes montada em um jumento ou na garupa da bicicleta de seu irmão. Foi lá onde tudo começou. Marcela disse recentemente em entrevista na rádio Verdes Mares que quando estava nos Estados Unidos, lembrava de tudo isso.

Na adolescência, Marcela passou a estudar inglês por conta própria. “Como eu gostei muito de estudar, eu decidi estudar inglês em casa, sozinha, sem ninguém para treinar comigo. Eu tinha noção das regras de inglês, mas eu não sabia a pronúncia das palavras direito porque eu não tinha ninguém para conversar comigo”, explica.


Vereadora Aila Santana
Segundo a parlamentar Aila Santana, que também é professora, o atendimento deste requerimento faz justiça a esta ilustre filha de Aratuba, uma estudante dedicada que superou todas as dificuldades que a pobreza causa a um ser humano e se tornou referência internacional no universo da educação. “É importante destacar que a referida homenagem vai incentivar os estudantes de Aratuba a trilharem o caminho do sucesso que Marcela percorreu até se tornar uma vencedora”, acrescentou.  

Depois de aprovado, o requerimento segue para despacho do poder executivo em Aratuba.

Estudante supera pobreza no Ceará e ganha reconhecimento nos EUA; ouça entrevista

Marcela Alves e o cientista Stephen Wolfram. Foto: Reprodução
Marcela Alves e o cientista Stephen Wolfram. Foto: Reprodução
O jornalista Evandro Nogueira recebeu neste sábado (14), no programa Sábado Show, a jovem cientista Marcela Alves. Formada em Ciências da Computação pela Faculdade Farias Brito, em Fortaleza, Marcela superou desafios desde pequena na cidade de Aratuba, no interior do Ceará. Sozinha, aprendeu a falar inglês e conseguiu chegar aos Estados Unidos com reconhecimento.
Desde criança, Marcela estudava muito, apesar das limitações no início. “Quando eu nasci, minha família morava num sítio. [Quando cresci], ainda não tinha escola lá. O pessoal se organizava e a gente ia ter aula numa capelinha. A gente ia de bicicleta ou de jumento para a aula. Foi lá onde tudo começou. E eu relembrei disso quando eu estava nos Estados Unidos. E só passava esse filme pela minha cabeça: ‘como eu saí daquela escola pequena e consegui chegar na Escola de Verão em Massachusetts?'”, relembra a estudante, emocionada.
Na adolescência, Marcela passou a estudar inglês por conta própria. “Como eu gostei muito de estudar, eu decidi estudar inglês em casa, sozinha, sem ninguém para treinar comigo. Eu tinha noção das regras de inglês, mas eu não sabia a pronúncia das palavras direito porque eu não tinha ninguém para conversar comigo”, explica.
Ouça entrevista na íntegra:


E isso foi decisivo quando marcela viajou para os Estados Unidos, por meio do programa Ciências Sem Fronteiras. “Durante a faculdade, aconteceu de eu viajar para os Estados Unidos. Não sabia nem o que era check-in e check-out e eu tive que fazer uma conexão no México durante a viagem. Quando eu cheguei lá, perdi meu passaporte e a minha passagem de avião”, conta Marcela, que demorou mais de um dia para chegar em seu destino.
Lá, a estudante começou a participar de um grupo de estudos em Cosmologia e Astrofísica e estudou processamento de imagens. Ao apresentar um projeto ao Wolfram Science, os pesquisadores se surpreenderam com o resultado e ela foi selecionada para a Escola de Verão da Universidade de Bentley, em Massachusetts, que seleciona somente 50 nomes em todo mundo. “Na computação, existe uma parte que se chama processamento de imagens, como os do Instagram. Aqueles filtros são todos deprocessamento de imagens. Só que os cientistas da computação faz um processamento para pegar outras informações. Eu peguei a teoria dos autômatos dos celulares e tentei reproduzir esses filtros para ver se eles são mais eficientes. Eu consegui reproduzir esses filtros de uma maneira muito mais eficiente e com uma porcentagem de semelhança muito grande. E quando eu mostrei para o cientista Stephen Wolfram, ele ficou muito encantado”, sintetiza.
Marcela se tornou, assim, a primeira mulher brasileira na história aceita para o curso de verão do instituto de ciência em 2014. Atualmente, Marcela trabalha desenvolvendo um aplicativo móvel de educação à distância para pessoas com necessidades especiais num projeto financiado pela empresa Dell.

sábado, 4 de julho de 2015

“Grandes grupos econômicos estão ditando a formação de crianças e jovens brasileiros”

Em entrevista exclusiva, novo reitor da UFRJ, Roberto Leher, aponta os impactos da lógica mercantilizada sobre a educação brasileira e aponta que como grupos financeiros tentam dominar a educação pública.

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Por Luiz Felipe Albuquerque
Do Brasil de Fato


Um grande negócio. É assim que o novo reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, enxerga o novo momento da educação brasileira.


Em entrevista ao Brasil de Fato, o professor titular da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ traça um panorama do atual estágio da educação no Brasil, e as conclusões não são nada animadoras.


Para Leher, que tomará posse nesta sexta-feira (3), os recentes processos de fusões entre grandes grupos educacionais, como Kroton e Anhanguera, e a criação de movimentos como o Todos pela Educação representam a síntese deste processo.


No primeiro caso, ocorre uma inversão de valores, em que o primordial não é mais a educação em si, mas a busca de lucros exorbitantes por meio de fundos de investimentos. No segundo, a defesa de um projeto de educação básica em que a classe dominante define forma e conteúdo do processo formativo de crianças e jovens brasileiros.


O movimento Todos Pela Educação é uma articulação entre grandes grupos econômicos como bancos (Itaú), empreiteiras, setores do agronegócio e da mineração (Vale) e os meios de comunicação que procuram ditar os rumos da educação no Brasil.


Para o professor, o movimento se organiza numa espécie de Partido da classe dominante, ao pensarem um projeto de educação para o país, organizarem frações de classe em torno desta proposta e criar estratégias de difusão de seu projeto para a sociedade.


“Os setores dominantes se organizaram para definiram como as crianças e jovens brasileiros serão formados. E fazem isso como uma política de classe, atuam como classe que tem objetivos claros, um projeto, concepções clara de formação, de modo a converter o conjunto das crianças e dos jovens em capital humano”, observa o professor.


Confira a entrevista:


Muitos setores denunciam a atual mercantilização da educação brasileira. O que está acontecendo neste setor?


De fato há mudanças no que diz respeito a mercantilização da educação, diferente do que acontecia até 2006 no Brasil. Os novos organizadores dessa mercantilização são organizações de natureza financeira, particularmente os chamados fundos de investimento.


Como o próprio nome diz, os fundos de investimentos são fundos constituído por vários investidores, grande parte estrangeiro, como fundos de pensão, trabalhadores da GM, bancos, etc, que apostam num determinado fundo, e esse fundo vai fazer negócios em diversos países.
    

Em geral, os fundos fazem fusões, como é o caso da Sadia e Perdigão no Brasil. Mas é o mesmo grupo que também adquiri faculdades e organizações educacionais com o objetivo de constituir monopólios.


Esse processo levou a Kroton e a Anhanguera - fundo Advent e Pátria - a constituírem, no Brasil, a maior empresa educacional do mundo, um conglomerado que hoje já possui mais de 1,2 milhão de estudantes, mais do que todas as universidades federais juntas.


O que muda com essa nova forma de mercantilização da educação?


O negócio do investidor não é propriamente a educação, é o fundo. Ele investiu no fundo e quer resposta do fundo, que cria mecanismos para que os lucros dos setores que eles estão fazendo as aquisições e fusões sejam lucros exorbitantes. É isso que valoriza o fundo.


A racionalidade com que é organizada as universidades sob controle dos fundos é uma racionalidade das finanças. São gestores de finanças, não são administrados educacionais. São operadores do mercado financeiro que estão controlando as organizações educacionais.


Toda parte educacional responde uma lógica dos grupos econômicos, e por isso eles fazem articulações com editoras, com softwares, hardwares, computadores, tablets; é um conglomerado que vai redefinindo a formação de milhões de jovens.


No caso do Brasil, cinco fundos têm atualmente cerca de 40% das matrículas da educação superior brasileira, e três fundos têm quase 60% da educação à distância no Brasil.


Quais os interesses dessas grandes corporações para além do econômico?


A principal iniciativa dos setores dominantes na educação básica brasileira é uma coalizão de grupos econômicos chamado Todos pela Educação, organizado pelo setor financeiro, agronegócio, mineral, meios de comunicação, que defendem um projeto de educação de classe, obviamente interpretando os anseios dos setores dominantes para o conjunto da sociedade brasileira.


Em outras palavras, os setores dominantes se organizaram para definiram como as crianças e jovens brasileiros serão formados. E fazem isso como uma política de classe, atuam como classe que tem objetivos claros, um projeto, concepções clara de formação, de modo a converter o conjunto das crianças e dos jovens em capital humano.


Em última instância, é com isso que eles estão preocupados: em como fazer com que a juventude seja educada na perspectiva de serem um fator da produção. Essa é a racionalidade geral, e isso tem várias mediações pedagógicas.


A aparência é de que estão preocupados com a alfabetização, com a escolarização, com o aprendizado, etc. E de fato estão, mas dentro dessa matriz de classe, no sentido de educar a juventude para o que seria esse novo espírito do capitalismo, de modo que não vislumbrem outra maneira de vida que não aquela em que serão mercadorias, apenas força de trabalho.
 

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De que maneira eles interferem nas políticas educacionais do Estado?


Como sociedade civil, os setores dominantes buscam interferir nas políticas de Estado. OTodos pela Educação conseguiu difundir a sua proposta educativa para o Estado, inicialmente por meio do Plano Nacional de Educação (PNE) - que aliás foi homenageado com o nome Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, em referência ao movimento. Com isso definiram em grandes linhas o que seria o PNE que está vigente.


Articulam por meio de leis, mas também da adesão de secretários municipais e estaduais às suas metas, aos seus objetivos. Articulam com o Estado, que cria programas, como o programa de ações articuladas, em que a prefeitura, quando apresenta um projeto para o desenvolvimento da educação municipal, tem que implicitamente aderir às metas do movimento Todos pela Educação.


Temos um complexo muito sofisticado que interage as frações burguesas dominantes, as políticas de Estado e os meios operativos do Estado para viabilizar esta agenda educacional.


Mas como se dá isso na prática?


Quando um município faz um programa de educação para a sua região, ele já deve estar organizado com base no princípio de que existe uma idade certa para educação, que os conteúdos não devem se referenciar nos conhecimentos, mas sim no que eles chamam de competências, que o professor não deve escapar deste currículo mínimo que eles estão desenvolvendo por meio de uma coerção da avaliação.


A escola que não consegue bons índices no Idep [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] é penalizada, desmoralizada, sai nos jornais, e isso cria um constrangimento que chega ao cotidiano da sala de aula, e as prefeituras pressionadas por esses índices acabam sucumbidos às fórmulas que o capital oferece. A mais importante delas é comprar sistemas de ensino, apostilas, que são fornecidos pelas próprias corporações.


O professor está em sala de aula, recebe apostilas, exames padronizadas que foram feitos pela corporação, e na prática, ao invés do professor desenvolver um papel intelectual, criador, ele tem que ser muito mais um aplicador das cartilhas, um entregador de conhecimento, e isso obviamente esvazia o papel do professor que tem consequências diretas com o processo de formação.


A formação esperada do educador não é uma formação enquanto intelectual, mas sim como alguém que sabe desenvolver técnicas para aplicar aquelas pacotes que as corporações preparam.


E há resistências a isso?


Existe um complexo de situações onde as resistências, as tensões são muito grandes, o que traz infelicidade aos professores e aos estudantes, mas tudo isso é muito difuso. As resistências acontecem na forma de lutas sindicais, quando fazem greve criticando a chamada “meritocracia”, os sistemas de avaliação.


Aparecem aqui e ali, mas é forçoso reconhecer que existe um complexo de controle sobre as escolas que restringem muito a margem de manobra dos trabalhadores da educação para desenvolverem um projeto pedagógico autônomo e crítico.


Essa situação é agravada quando a própria direção da escola, que deveria pensar como a escola se auto governa, vem sendo ressignificada como um papel de gestão. O diretor e os coordenadores são pensados como gestores na lógica de uma empresa, que deve cumprir metas, fiscalizar o cumprimento delas e tentar atingir essas metas de todas as formas.


Temos uma mudança de referências quando a própria equipe de coordenação da escola se torna uma equipe de gestores. No documento Pátria Educadora há uma possibilidade de punição dos professores que não cumprirem as metas.


 

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Ministro Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Mangabeira Unger.
Por sinal, o Pátria Educadora é um dos programas carro chefe do governo federal. Como você avalia este documento?

Não casualmente, esse documento foi elaborado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), atualmente dirigido pelo ministro Mangabeira Unger. Ele parte de um diagnóstico de que o modelo de desenvolvimento baseado em commodities se esgotou com a crise mundial, com seus preços despencando depois daquele período de ouro entre 2004 e 2009.


Com a desvalorização dessas commodities, Mangabeira chama atenção para o fato de que o Brasil deveria buscar outra forma de inserção na economia mundial que não fosse apenas de commodities.


E a minha hipótese é que eles estão sinalizando nesse documento que o Brasil deveria ser uma espécie de plataforma de exportação, assim como já existe na fronteira norte do México, em alguns países asiáticos - o modelo chinês foi isso nos anos 90, de ser um local em que a força de trabalho é muito explorada, recebe um treinamento específico que permite uma exploração muito grande, e esses países entram em circuitos de produção industrial de maneira subalterna, explorando o que seriam sua vantagens comparativas: baixo custo de energia, da força de trabalho, baixa regulamentação ambiental, e isso daria vantagens competitivas novamente ao país.


O drama é que a concepção do Pátria Educadora tem como correspondência a ideia de que a formação da maior parte da força de trabalho no Brasil deve ser por um trabalho mais simples, e isso tem consequências pedagógicas muito grande.


Se é para formar para o trabalho simples, a maior parte das escolas podem ser instituições estruturadas para a formação de um trabalho de menor complexidade, que seria desdobrados em processos de formação técnica de cursos de curta duração, cujo exemplo mais conhecido é o Pronatec, em que grande parte dos cursos são aligeirados para a formação de uma força de trabalho simples - tanto aquela que já estará inserida no mercado quanto aquela que constitui o que podemos denominar de um exército industrial de reserva.


O documento Pátria Educadora altera a racionalidade da organização da escola quando vislumbra escolas que vão formar forças de trabalho de menor complexidade. É importante destacar que no documento encontramos uma formulação muito perigosa de enormes consequências para o futuro da educação brasileira, que é a referência que o Mangabeira faz da adoção de um modelo tipo SUS (Sistema Único de Saúde).


O que é isso?


O modelo SUS teve como objetivo assegurar o direito ao atendimento à saúde de maneira universal, e isso poderia ser feito tanto pelo órgãos públicos quanto pelas entidades privadas.


Quando Mangabeira reivindica o modelo SUS, claramente está sinalizando que a formação do conjunto da classe trabalhadora deveria ser feita em nome de uma suposta democratização, realizada tanto pelas instituições públicas quanto pelas organizações privadas.


Isso é congruente com o PNE aprovado em 2014, ao estabelecer que a verba pública é aquela utilizada nas instituições públicas, mas também em todas as parcerias público-privadas, como o FIES, PROUNI, Ciências Sem Fronteira, PRONATEC, Pronacampo, sistema S, tudo isso entra como recurso público.
    
 

A rigor, estamos diante de uma política que pode indiferenciar as instituições públicas e privadas em detrimento do público, já que as corporações também se acercam da educação básica.

Em setembro acontecerá o 2° Encontro Nacional dos Educadores e Educadoras da Reforma Agrária (Enera), em Brasília. Como o Enera se insere nesta conjuntura?


Tenho uma expectativa muito positiva em relação ao segundo Enera. No primeiro Enera tivemos a constituição de outra perspectiva pedagógica para a educação brasileira, que foi a Educação do Campo, uma conceituação do que seria uma educação pública voltada para o campo, mas com um horizonte de formação humana que ultrapassa o campo.


Foi certamente uma proposta que promoveu sínteses brilhantes entre uma perspectiva crítica que vem do campo marxista, da ideia da escola unitária, do trabalho, ao compreender que o trabalho deveria ser um elemento simbólico, imaginativo, capaz de nos constituir como seres humanos, e que portanto a escola é o lugar da cultura, da arte, da ciência, da tecnologia, e não uma instituição livresca. É uma instituição que tem interação com o mundo, com a vida, com os processos de trabalho, com a produção real da cultura em diversos espaços, como pensar no que significa a agricultura no Brasil.


Foi uma proposta pedagógica que promoveu sínteses incorporando pensamento critico marxista, tradição latino-americana de educação popular, particularmente com Paulo Freire, e criou bases para um pensamento pedagógico socialista.


O segundo Enera, a meu ver, está desafiado pela conjuntura a fazer um balanço do que foi essa mercantilização e de como o capital está tentando se apropriar do conjunto da educação básica.


Ao fazer essa reflexão, certamente o Enera vai ajudar a criar bases para uma perspectiva de educação pública unitária capaz de contrapor a educação frente à lógica de movimentos empresariais como o Todos pela Educação.

Pode haver incorporações de elementos novos na nossa reflexão sobre a pedagogia socialista que respondam desafios da ofensiva do capital, mas sobretudo respondam os anseios que estão pulsando em todo o país em torno da educação pública.

Como as últimas greves na educação?

Podemos problematizar a fragmentação das lutas pela educação, o fato de que muitas vezes são lutas econômicas e corporativas, que estão vinculadas as políticas municipais e estaduais, mas não tenho dúvidas de que essas lutas que estão pulsando no país estão enfrentando aspectos dessa pedagogia do capital, criticando a meritocracia, a racionalidade das competências e dos sistemas centralizados de avaliação, o uso de cartilhas.

Temos críticas reais a essa lógica de controle que o capital está buscando sobre a educação básica, mas precisamos sistematizar isso com outros fundamentos pedagógicos, e aprofundando a experiência que foi construída a partir do primeiro Enera.

No segundo Enera acredito que novas dimensões para essa pedagogia socialista vão ser esboçados, e não como o resultado de um processo em que os especialistas de educação do MST vão se reunir e pensar o que seria essa agenda.

Ao contrário, como resultado de uma articulação de movimentos que estão fazendo educação pública e estão buscando uma educação criativa, que estão fazendo as lutas de resistências com as greves, mobilizações, com a participação de estudantes.

Esta riqueza de produções que estão em circulação nas lutas em defesa da educação pública que podem criar uma sistematização maior. Creia condições para que possamos ampliar esta aliança entre experiências da luta urbana com as que vieram do campo, produzindo novas sínteses e novas possibilidades para que a classe trabalhadora tenha sua própria agenda para o futuro da educação pública.

É um processo longo e exigirá um esforço organizativo e intelectual de enorme envergadura. Temos que ter uma produção pedagógica mais sistematizadas, mais profunda, para criarmos a base desse pensamento pedagógico crítico, que assegure uma formação integral, mas uma educação que recusa a divisão dos seres humanos em dois grupos: um que pensa e mando, outro que executa e obedece.

Essas bases para uma proposta socialista estão sendo gestadas nas lutas, mas com o ENERA podemos ganhar um momento de qualidade no terreno da elaboração, articulação e organização em defesa desse projeto de novo tipo.

FONTE: MST

domingo, 21 de junho de 2015

VI Simpósio Internacional Sobre a Juventude Brasileira: os jovens e seus outros

Em outubro de 2004, por iniciativa do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio para a Infância e Adolescência Contemporâneas (NIPIAC), foi realizado o I Simpósio Internacional sobre a Juventude Brasileira (JUBRA), no Campus Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro.  Foi uma iniciativa inédita no campo de estudos da juventude no país, que congregou mais de 600 pessoas, dentre pesquisadores – nacionais e internacionais, profissionais, estudantes e jovens.  Naquele momento, as questões da juventude ganhavam presença marcante no cenário político com a implantação de políticas direcionadas à juventude em vários estados do país e a criação da Secretaria Nacional da Juventude.
Ao longo desta última década, o JUBRA aconteceu em vários estados: no Rio Grande do Sul, em 2006; em 2008, em Goiás; em 2010, em Minas Gerais e em 2012, em Pernambuco.  A realização do JUBRA contou com a generosidade, a coragem e a dedicação de professores e pesquisadores, que, em diferentes universidades do Brasil, se propuseram a organizar e fazer acontecer o evento, cientes do lugar que a universidade deve ocupar na promoção de discussões e intercâmbios em torno desta importante questão. 
O debate sobre a juventude, no país e alhures, tem se destacado como parte de uma agenda cada vez mais ampla, aglutinando pesquisadores, professores, profissionais, jovens e gestores públicos. Por outro lado, muitos problemas que atingiam os jovens há dez anos atrás continuam sem perspectiva de solução, e outros novos surgiram. Se as pesquisas e o conhecimento produzido nas universidade sobre os jovens aumentou significativamente, faz-se necessário, cada vez mais, refletir sobre o modo de torna-los efetivos na formulação e encaminhamentos de políticas direcionadas aos jovens. A este propósito, urge pensar as dificuldades, os limites e a potencialidade da relação entre universidade, sociedade e governo.
Os JUBRAs têm cumprido o papel de propiciar um amplo fórum de discussões sobre a temática da juventude. Ao retornar ao seu lugar de fundação, o Campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro, celebrando seus dez anos de existência, se assegura a continuidade da trajetória que se iniciou em 2004.  No entanto,  faz-se mister refletir sobre o caminho empreendido até aqui e o contexto político atual, suas urgências e demandas sobre o campo da juventude.   
A continuidade deste evento também se coloca como uma questão a ser discutida e assumida por todos e todas que desejam garantir que este fórum permaneça.  Urge, portanto, abrir espaço neste próximo JUBRA para os debates e as decisões neste sentido. A importância que este evento adquiriu no cenário brasileiro deve levar ao aprofundamento da reflexão sobre como podemos, conjuntamente, superar as dificuldades para garantir um mínimo de institucionalidade a uma rede de pesquisadores da juventude.  Essa rede deverá se incumbir da responsabilidade da permanência do evento. Portanto, o VI JUBRA se situa como ponto de inflexão, convocando, principalmente, pesquisadores da área da juventude para este momento de parada e reflexão sobre o que se fez, e o que se poderá fazer daqui para frente. 
O VI JUBRA, cuja convocação Os jovens e seus outros aponta para o inescapável deslocamento ao outro de qualquer existência humana, evoca a importância da reflexão crítica no desenho de um projeto coletivo de debate sobre a juventude.
Convidamos a todas e todos, principalmente os que do lugar da universidade têm a juventude como campo de reflexão e pesquisa, a participarem deste momento de troca, discussão e avaliação com vistas a perspectivar os caminhos a serem trilhados. 

Comissão Local do VI JUBRA
Rio de Janeiro, dezembro de 2014.

sábado, 20 de junho de 2015

NORDESTE SE LEVANTA CONTRA REDUÇÃO DA MAIORIDADE


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Os governadores do Nordeste divulgaram uma carta aberta ao parlamento e à sociedade brasileira onde afirmam estar convictos de que a decisão preliminar da Comissão da Câmara dos Deputados não vai contribuir para diminuir a criminalidade, mas gerar uma "ilimitada espiral de repressão ineficaz"; documento destaca, ainda, que a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos no Brasil violaria a Convenção Internacional dos Direitos da Criança, assinada pelo Brasil em 1990, além de apontar que uma revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente seria o caminho mais indicado para lidar com o assunto.

Os governadores do Nordeste divulgaram na manhã desta sexta-feira (19) carta aberta ao parlamento e à sociedade brasileira para uma maior reflexão sobre a redução da maioridade penal. Seis chefes de Estado afirmam estar convictos de que a decisão preliminar da Comissão da Câmara dos Deputados não vai contribuir para diminuir a criminalidade, mas gerar uma "ilimitada espiral de repressão ineficaz".
A carta destaca ainda que a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos no Brasil violaria a Convenção Internacional dos Direitos da Criança, assinada pelo Brasil em 1990 e apontam uma eventual revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente como um caminho mais indicado para aperfeiçoar as reinserção social de jovens que tenham cometido delitos.
Veja a Carta na íntegra:
Carta de Governadores contra a Redução da Maioridade Penal
Os governadores signatários desta Carta, à vista da aprovação em uma Comissão da Câmara dos Deputados da proposta de redução da maioridade penal, vêm convidar os Senhores Parlamentares e a sociedade a uma maior reflexão sobre o tema.
Temos convicção de que a redução da maioridade penal não irá contribuir para diminuir as taxas de criminalidade. Na verdade, o que ocorrerá é que crianças de 13 ou 14 anos serão convidadas a ingressar no mundo da criminalidade, sobretudo tráfico de drogas, desse modo alimentando-se uma ilimitada espiral de repressão ineficaz. Todos que lidamos com os sistemas de segurança pública e penitenciário, sabemos que cada vez há mais encarceramento no país, sem que a violência retroceda, posto que dependente de fatores diversos, sobretudo econômicos, sociais e familiares.
Acreditamos que a proposta vulnera direito fundamental erigido à condição de cláusula pétrea pela Constituição, sujeitando-se à revisão pelo Supremo Tribunal Federal. Além disso, implica descumprimento pelo Brasil de Convenção Internacional alusiva aos Direitos da Criança, a qual nosso país se obrigou a atender por força do Decreto 99.710/90.
Lembramos que o Brasil adota um sistema especializado de julgamentos e medidas para crianças acima de 12 anos, o que está em absoluta sintonia com a maioria e as melhores experiências internacionais. Neste passo, cremos que eventual revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente é o caminho mais indicado para que alguns aperfeiçoamentos possam ser efetuados, preservando-se contudo a Constituição e as Convenções Internacionais.
Assim, dirigimo-nos à Nação com esse chamamento ao debate e a um movimento contrário à redução da maioridade penal, passando-se a priorizar medidas que realmente possam enfrentar a criminalidade e a violência.
Flávio Dino - Governador do Estado do Maranhão
Paulo Câmara - Governador do Estado de Pernambuco
Camilo Santana - Governador do Estado do Ceará
Ricardo Coutinho - Governador do Estado da Paraíba
Wellington Dias - Governador do Estado do Piauí
Rui Costa - Governador do Estado da Bahia

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